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O Primeiro Milagre
por: IEQ Rochdale




Jesus e seus discpulos foram convidados para uma festa de casamento e aceitaram o convite (Joo 2.1-2). Cristo no era alienado. Ele participava dos eventos sociais, procurando estar sempre com o povo. De outro modo, como poderia cumprir sua misso? Precisava estar perto das pessoas para abeno-las e salv-las. Os cristos, da mesma forma, no podem constituir um grupo isolado. Somos diferentes do mundo, mas no distantes ou fora dele (Jo.17.11,15,16). No podemos aceitar convites para a prtica pecaminosa (Pv.1.10-15). Outros, porm, podem ser aceitos. necessrio, contudo, que o cristo, onde estiver, d um bom testemunho, sendo sal e luz (Mt.5.13-14), agindo em benefcio do prximo. Foi o que Cristo fez. Jesus foi convidado porque sua presena agradvel. Onde ele est, o ambiente celestial.

A certa altura das bodas, acabou-se o vinho (2.3). Era comum que as festas de casamento durassem sete dias, mas, sem vinho, isso no seria possvel. O que fazer? Talvez pudessem comprar mais. Entretanto, possvel que os convidados no estivessem dispostos a esperar. Fim do vinho significava fim da festa.

Como ficaria a reputao do noivo diante de seus amigos? Teria ele falhado na preparao das npcias? Ficaria marcado como negligente perante a noiva e os familiares? Ainda que os convivas tivessem consumido alm do esperado, ou mais rapidamente, o noivo deveria estar prevenido. Estava, portanto, estabelecida uma situao de vergonha e desgosto, podendo marcar, de forma negativa, o incio da vida conjugal.

Maria, me de Jesus, tambm estava presente e percebeu que o vinho tinha acabado (2.3). No tendo poder para resolver a situao, ela foi falar com seu filho. Ele parece no ter recebido bem a interferncia da me (2.4). Afinal, ele j sabia do fato e talvez estivesse esperando o melhor momento para agir. A presena de Jesus no evita que determinados problemas ocorram. Alis, eles podem ser necessrios e teis, desde que sejam bem conduzidos e devidamente solucionados. Uma necessidade torna-se oportunidade para o milagre. No queremos problemas, mas Deus permite que tenhamos alguns para que tambm possamos ter experincias sobrenaturais.

Maria sabia que Jesus ia tomar alguma providncia e deu, ento, uma sbia orientao aos servos da casa: Fazei tudo o que ele vos disser (Joo 2.5). Se temos algo a aprender com as palavras de Maria no sentido de voltarmos nossa ateno para Cristo, procurando realizar, no apenas parte, mas tudo o que ele nos mandar.

Ele podia fazer o milagre, at mesmo antes que a falta do vinho fosse notada, mas isso no atenderia aos seus propsitos. Ningum saberia. Seu poder no seria reconhecido (2.11) e Deus no seria glorificado. preciso que, por algum tempo, sintamos a necessidade, a fim de que a bno seja desejada e valorizada.

Se Jesus quisesse, poderia dizer uma palavra e o vinho jorraria de todos os vasos e copos, mas ele deseja a participao dos servos na realizao do milagre. Em muitos episdios dos evangelhos aconteceu assim: as pessoas esperavam uma bno e recebiam uma ordem. preciso obedecer para ser abenoado, e no o contrrio. Deus quer a participao humana em suas obras. Ele pode fazer tudo sozinho, mas nos deu o privilgio e a oportunidade de participar, e isto significa trabalho. A nossa f deve ser demonstrada atravs da obedincia e do servio, pois a f sem obras morta (Tg.2). Jesus faz o milagre, mas precisamos fazer a nossa parte.

Os servos tinham muito trabalho a fazer, mas isso lhes daria a chance de serem participantes e testemunhas do milagre. Os convidados estavam em posio mais cmoda. Ficavam apenas se divertindo, enquanto esperavam o garom passar. Qual a nossa postura no reino de Deus. Agimos como convidados ou como servos? Queremos apenas beber o vinho do milagre ou trabalhar na sua produo? Aquele que tem a iniciativa de servir, tambm tem oportunidades singulares. Os servos sabiam o que os convidados ignoravam (2.9).

Jesus mandou que os serventes enchessem de gua seis talhas de pedra (2.7). Em cada uma delas cabia entre dois e trs almudes, ou seja, entre 72 e 108 litros. Era muita gua para ser carregada. O Senhor nos manda fazer coisas difceis, mas, se fizermos, ficaremos satisfeitos com o resultado. Aquele ato de obedincia exigia esforo. Jesus abenoa os que trabalham, mas os preguiosos continuam passando necessidade.

As talhas foram cheias at a borda (2.7). A obedincia foi imediata e completa. Quanto mais gua, mais vinho. No podemos fazer apenas o mnimo, a no ser que queiramos uma bno pequena. No podemos ser econmicos na orao, no jejum, na leitura bblica e no servio ao Senhor. Precisamos fazer mais, fazer muito e fazer bem feito.

Para fazer o milagre, Jesus usou o que estava sua disposio: os servos, as talhas e a gua. Estamos disponveis para Cristo operar? Nossos bens, tempo e talentos esto entregues ao Senhor? Se o dono da casa escondesse os recipientes, talvez o milagre no tivesse acontecido, ou a quantidade seria menor.

Todos queriam vinho e Jesus manda encher os vasos com gua. Queremos o produto final, pronto e servido. Entretando, a operao divina pode ocorrer em etapas, conforme seus soberanos propsitos. Aquela ordem parecia no fazer sentido, mas ningum lhe fez perguntas. Devemos obedecer sem questionar. Nem sempre vamos saber o porqu das ordens ou dos atos divinos.

Ento, o milagre aconteceu. Jesus transformou a gua em vinho. O texto no traz explicaes qumicas ou biolgicas a respeito do processo. No podemos nem precisamos explicar cientificamente os atos de Jesus. Aqueles que dependem de explicaes colocam obstculos sua prpria f. Nem sempre vamos saber como Deus opera. Precisamos crer em seu poder, mesmo sem compreender sua forma de agir.

Em seguida, os servos levaram o vinho para que o mestre-sala experimentasse. Ele era o responsvel pelo controle de qualidade. Quando experimentou o vinho de Jesus, aquele homem ficou surpreso e maravilhado. Suponho que ele nunca houvera bebido um vinho to bom. Jesus faz, e faz bem feito. O vinho de Jesus superior. Experimente! Com Jesus, tudo fica melhor. No aceitemos o que o inimigo oferece. Deus tem o melhor para ns. No sejamos impacientes. Esperemos o tempo certo, quando ele suprir a nossa necessidade de forma miraculosa e surpreendente.

O mestre-sala disse ao noivo: Todo homem pe primeiro o vinho bom... mas tu guardaste at agora o bom vinho (2.10). Quando Jesus opera em ns, samos do limite dos costumes e das tradies para um nvel de excelncia. As pessoas esperavam que, com o passar do tempo da festa, o vinho fosse piorando, mas, se Jesus est presente, a tendncia melhorar, de f em f (Rm.1.17) e de glria em glria (IICo.3.18). As tribulaes so grandes, mas as vitrias so maiores. A festa estava salva. A comemorao podia continuar, com alegria ainda maior. Aquele casamento sempre seria lembrado pela presena e pelo poder de Jesus. O problema foi transformado em bno. Ali Jesus realizou seu primeiro milagre, marcando aquele casal e aquela cidade. Can da Galilia ficou definitivamente vinculada maravilha da transformao da gua em vinho.

O fato de Jesus ter escolhido uma festa de casamento para realizar seu primeiro sinal nos mostra como o matrimnio e a famlia so importantes para Deus. Alm de atender necessidade do momento, aquele ato de Jesus demonstrou seu poder transformador. Hoje, ele tem transformado muitas vidas. Assim como aconteceu naquelas bodas, pode chegar um momento na vida conjugal ou individual quando a alegria acaba. Tudo estava indo to bem e, de repente, instala-se o caos. Isto pode ser resultado de algum acontecimento ruim, decises equivocadas ou prticas pecaminosas. Nessas horas, Jesus a nossa nica esperana. Ele pode fazer o que no est ao nosso alcance, e faz muito melhor, dando aroma, cor e sabor nossa existncia.

Jesus especialista na transformao de vidas. Ele atua naqueles que j foram descartados pela sociedade. Cristo recupera o marginal, transformando-o em cidado de bem. Acima de tudo, ele nos transforma de tal maneira que possamos ser agradveis a Deus (Rm.12.1-2).

Depois que a gua foi transformada em vinho, a festa continuou, mas isso s foi possvel porque os noivos convidaram Jesus para aquele casamento. Todos devem convid-lo. Nossa vida sem ele vazia e intil. S Cristo pode nos abenoar, nos dar uma nova motivao para viver. Com ele, temos um novo comeo, pois seu poder age em ns, fazendo transbordar o nosso clice.